sábado, 10 de junho de 2017

Fones in My self


Meus fones de ouvidos são muito importantes, são a minha  blindagem contra a realidade a minha volta, contra poluição sonora, contra tudo que se move.

Com eles o meu mundinho particular imaginário fantasioso; ou não, vem a existir, é quase uma realidade paralela livre da ditadura da posição global; que insiste em definir geograficamente a onde as coisas ficam (ou onde estão, ou onde deveriam estar).

Tudo e todos passam despercebido, até mesmo a música tocada em meus ouvidos se tornam um silêncio isolante, selando esse mundo misterioso.

Em algumas vezes me perco dentro de um pensamento profundo e até mesmo o tempo fica distorcido quanto tento me achar onde eu estava quando entrei pela porta da imaginação e fui para uma viagem sem fim entre um milésimos de silêncio que separam uma batida de outro acorde ritmado num contratempo de um compasso descontinuado dentro de uma escala de uma nota qualquer, que qualquer um chamaria de ruído, mas um especialista chamaria que arte.

Quando reconheço a música tenho que voltar, voltar desse profundo mergulho, onde os raios do “Sol da sanidade” não penetram, tenho que subir para diminuir a pressão da profundidade desse oceano de pensamentos perdidos e repentinos, tenho que sair do modo “hibernar”, ligar a consciência e todas as funções que me mantém em pé, então o mundo volta a rodar, as pessoas em minha volta voltam a existir, o aço volta a ser fundido, resfriado e usinado para depois ser parafusado como corrimão num vagão do Metrô; perto da saída do ar condicionado; o que faz essa parte do corrimão ficar muito mais gelado do que comum, que deixa uma impressão refrescante quando você toca nessa parte resfriada num dia quente.

Tudo em volta cria se cor, forma, nomes, objetivo  e personalidade. Pronto estou vivo novamente em um lugar real, de pessoas reais onde qualquer coisa em minha volta pode me afetar ou não.

Então aperto o botão de votar a música, para que eu a escute novamente, a música que eu já estava escutando, porém não ouvindo.

Nessa hora toda a realidade se desfaz novamente, eu começo a me auto encolher até que só exista eu e o meu fone, os dois dos mesmo tamanho, uma pausa de silêncio para entender se foi eu que diminui ou se o fone que cresceu, mas logo lembro que não importa o que tenha acontecido; ou se aconteceu os dois, estou aqui para ouvir essa música.

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