sexta-feira, 7 de julho de 2017

Deslocado

Num bairro nobre, uma area mista, cheio de predios residencial e muitos corporativo. Naquele bairro as melhores e maiores empresas do mundo tinham uma sede, ou pelo menos mais de uma filial, todas as agências de bancos, toda esquina um restaurante, bar, pub, algum serviço muito específico.

Num lugar que atraia a população de vários cantos da cidade, o horário de almoço era facilmente confundido com alguma manifestação devido a quantidade de pessoas na rua, nas calçadas, escritórios e filas de espera, um mar de gente saindo do metrô.

Ele estava lá, sozinho, num ponto de ônibus, em plena sexta feira, as 20 e tantas da noite. A vida noturna extremamente interessante começa a brotar num bar ao lado, na calçada em frente ao bar, junto as mesas, um violão folk tocado por um vocalista escocês, um outro membro do grupo usa um acordeon para acompanhar a música que envolve o hambiante, pessoas semi bêbadas esbanjam sorrisos ao balanço da música.

Tudo seria ótimo, perfeito, se não estivesse parado num ponto de ônibus, aguardo a única linha que passa naquele rua, o ônibus que só passava nunca.

Todos os olhares lhe diziam: “Ei o que você faz ai parado esperando por alguma coisa?, Ei cara você está desarmonizando minha noite.”

Ele queria estar fazendo qualquer coisa, mas não podia, dependia uma coisa que poucos naquela calçada sabia o verdadeiro significado, Transporte Público.

Enquanto isso a vida seguia sem ele, e em volta dele, enquanto ele não vinha.

Ele preferiria estar fazendo qualquer outra coisa, mas primeiro o ônibus tinha que passar primeiro.

Enquanto isso não acontecia nada, nada aconteceria.

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